Desinformação Eleitoral: Um Desafio Persistentemente Evolutivo
Estudo da Agência Lupa revela a realidade das falas políticas e o impacto da desinformação nas eleições brasileiras.

A Evolução da Mentirosa Político
No cenário político brasileiro, um terço (34%) das declarações verificadas de políticos nos últimos cinco ciclos eleitorais é verdade, segundo o relatório "Anatomia da Desinformação Eleitoral — Como a Mentira e os Boatos Políticos Evoluíram no Brasil entre 2016 e 2026", divulgado pela Agência Lupa. Este estudo chocante revela a complexidade que permeia a comunicação política contemporânea.

A pesquisa destaca que a manipulação de informações verdadeiras, em vez de mentiras explícitas, está em ascensão. Táticas como omissões, exageros e distorções de contexto tornaram-se comuns. Não se trata apenas de um fenômeno isolado: políticos de todos os espectros têm sido responsáveis por afirmações enganosas.
A Amostra da Desinformação
O estudo analisou 3.080 declarações feitas por 237 políticos de 37 partidos. O foco está nas falas coletadas de diversas fontes, incluindo redes sociais e debates, e embora as frases selecionadas possam não representar todo o ecossistema de desinformação, elas refletem uma tendência preocupante.
Desde 2016, as informações verificadas estão sujeitas a critérios editoriais e de relevância, o que destaca as escolhas dos veículos de comunicação no que diz respeito à cobertura de desinformação eleitoral.
Os Gigantes da Desinformação
O ex-presidente Jair Bolsonaro se destaca com a maior taxa de declarações falsas (43,2%), seguido por Wilson Witzel e Marcelo Crivella. Na esquerda, Manuela d'Ávila e Lula também figuram entre os políticos com falas enganosas, mostrando que o fenômeno transcende o espectro político.

O estudo enfatiza que as narrativas de desinformação não se limitam a ataques a candidatos ou propostas, mas se focam em desacreditar todo o sistema eleitoral brasileiro. Historicamente, boatos virais frequentemente atacaram urnas eletrônicas e a integridade das eleições, um padrão que se mostra resiliente e adaptável.
Mudança nas Plataformas de Desinformação
Outro achado significativo da pesquisa é a migração da desinformação de plataformas públicas como o Facebook para espaços fechados como o WhatsApp. Em 2018, a rede social era a principal responsável por 76,5% das verificações, enquanto em 2024, 100% dos casos verificados ocorreram via WhatsApp.
O Futuro da Desinformação Eleitoral
À medida que olhamos para o futuro, a inteligência artificial adiciona uma nova camada de complexidade ao cenário de desinformação. Ferramentas para gerar conteúdos sintéticos estão se tornando mais sofisticadas e podem tornar a luta contra a desinformação ainda mais desafiadora nas próximas eleições.
Assim, resta uma pergunta importante: como podemos reconstruir a confiança nas instituições democráticas em meio a um mar de informações distorcidas? A resposta pode estar em um esforço combinado de educação, transparência e responsabilidade política.