Manifestantes exigem que Camboja descongele contas em empresa ligada a golpes
Cidadãos chineses protestam em Phnom Penh por acesso a ativos congelados em serviços financeiros, após polêmica em torno da Huione Group.

Protestos em Phnom Penh
Na manhã da última segunda-feira, 27 de abril de 2026, dezenas de cidadãos chineses realizaram um protesto em frente ao Banco Nacional do Camboja (NBC), exigindo o descongelamento de contas abertas em uma empresa de serviços financeiros, a Huione, que está sob investigação por fraudes cibernéticas. Os manifestantes, agitando bandeiras nacionais e empunhando guarda-chuvas, entraram em confronto com agentes de segurança armados, resultando em pelo menos dois manifestantes feridos.
Situação da Huione Pay
A Huione, antiga Huione Pay, teve suas operações suspensas e os ativos dos clientes congelados desde dezembro devido à sua ligação com um grande esquema de crimes cibernéticos. Wang Xijun, proprietário de uma empresa de construção, afirmou ter aproximadamente $50 mil (R$ 249 mil) bloqueados, o que o impede de pagar seus funcionários há meses. "Apoiamos a repressão aos jogos de azar ilegais, mas não somos parte desses crimes. Devolvam o dinheiro do povo!", clamou ele.
A extradição de Li Xiong
O ex-presidente da Huione, Li Xiong, foi extraditado para a China em 1º de abril após ser apontado como um dos líderes de uma organização criminosa que promovia fraudes transnacionais. As autoridades dos Estados Unidos já haviam classificado a Huione como uma "preocupação primária de lavagem de dinheiro", destacando suas operações que favoreceram grupos criminosos a partir do Sudeste Asiático.
Reações e desdobramentos
O protesto em Phnom Penh foi o segundo em poucas semanas, refletindo a crescente frustração entre os cidadãos chineses que dependiam da Huione para transações financeiras. Li Shangfu, outro manifestante, expressou sua preocupação com seu saldo de $50 mil (R$ 249 mil), questionando a situação real de seus fundos. "O governo precisa nos dar uma resposta clara. Nosso dinheiro ainda existe?", indagou.
Posicionamento das autoridades cambojanas
O Banco Nacional do Camboja (NBC) informou que as licenças comerciais da Huione foram revogadas e que os credores deveriam buscar reparos por meio do sistema judicial. Essa resposta, no entanto, não trouxe alívio imediato para os cidadãos, que veem em sua situação uma injustiça à parte das ações contra a empresa.
A luta contra a criminalidade cibernética
O governo cambojano, atento à recente ascensão do seu país como um ponto de convergência para atividades ilícitas, tem implementado medidas de repressão, resultando em mais de 13 mil estrangeiros envolvidos em fraudes online sendo detidos ou deportados desde o ano passado. A FinCEN dos Estados Unidos considera que o Camboja se tornou um dos focos principais do crime organizado, com um impacto negativo significativo na economia local e na reputação internacional.
Implicações para os cidadãos
No cenário atual, muitos cidadãos, incluindo Sopheak, uma vendedora de comida, expressaram a frustração de ver seus saldos, como o seu de $36 mil (R$ 179 mil), bloqueados sem possibilidade de acesso. "Abrimos contas na Huione porque era conveniente para nossos clientes. Agora, estamos sem soluções", lamentou.O desfecho dessa situação ainda é incerto, mas os protestos em Phnom Penh refletem um grito por justiça de cidadãos que se sentem desamparados em meio a uma crise maior de governança e segurança financeira. O que está em jogo é não apenas o dinheiro de cidadãos comuns, mas também a confiança em um sistema que promete segurança em um mercado global cada vez mais complexo.